Você não tem seções favoritas em nosso site,
para aprender a escolher
seus favoritos clique aqui.
Personalizar seus Favoritos:

1) Escreva no campo abaixo o nome da página da maneira que mais lhe agrada.

2) Clique em Incluir como Link Favorito.

Enviar

A Indústria de Carne Bovina

Produção

Em 2007, foram produzidos 54,5 milhões de toneladas de carne bovina no mundo, representando um crescimento de aproximadamente 0,2% em relação a 2006, segundo dados do levantamento do USDA realizado em 2007.

O Brasil é o segundo maior produtor de carne do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Porém, quando observado o crescimento da produção anual, como pode ser visto na tabela abaixo, o Brasil é um dos unidos países que apresentam crescimento positivo a cima de 5%, concorrendo apenas com Índia e China, sendo que a Índia possui uma baixa produção e carne com baixo controle de qualidade e sanitário e a China absorve quase toda a produção no mercado interno.

Produção de Carne Bovina (milhões de ton)
  2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 CAGR
Estados Unidos 12,4 12,0 11,3 11,3 11,9 12,0 11,9 -0,6%
Brasil 7,2 7,4 8,0 8,6 8,9 9,5 9,9 5,5%
China 5,8 6,3 6,8 7,1 7,5 7,9 8,1 5,7%
União Européia 8,1 8,1 8,0 7,8 7,9 8,0 7,9 -0,4%
Argentina 2,7 2,8 3,1 3,2 3,1 3,2 3,1 2,4%
Índia 1,8 2,0 2,1 2,3 2,4 2,5 2,7 7,0%
Austrália 2,1 2,1 2,1 2,1 2,2 2,3 2,1 0,1%
México 1,9 2,0 2,1 2,1 2,2 2,2 2,2 2,5%
Russia, Federação da 1,7 1,7 1,6 1,5 1,5 1,4 1,4 -3,1%
Canadá 1,3 1,2 1,5 1,5 1,4 1,4 1,3 0,6%
Africa do Sul 0,6 0,6 0,7 0,7 0,7 0,7 0,7 2,8%
Outros 3,8 3,8 3,9 3,8 3,8 3,7 3,4 1,2%
Total 53,2 50,1 51,3 52,5 53,7 54,5 54,6 0,5%

Fonte: USDA

De acordo com as estimativas do GIRA, a produção mundial de carne crescerá 1,2% ao ano até 2015, sendo o Brasil responsável por 21,5% deste crescimento.

Consumo

Em 2007, aproximadamente 52,5 milhões de toneladas de carne bovina foram consumidas em todo o mundo. O consumo mundial de carne bovina está concentrado no hemisfério ocidental e vem apresentando um crescimento anual médio de 1,7%.

Segundo dados do USDA, espera-se que o maior crescimento no consumo de carne bovina no mundo nos próximos anos ocorra na Ásia Oriental e Sudeste da Ásia, América Latina, Oriente Médio e Norte da África, como resultado de um crescimento previsto da população e da renda per capita (já que o consumo de carne bovina per capita está fortemente relacionado ao crescimento econômico e o conseqüente aumento da renda).

A tabela a seguir demonstra os maiores países consumidores de carne bovina:

Consumo Doméstico Total
mil ton (toneladas equivalente carcaça)
País 2004 2005 2006 2007 2008 Nov CAGR
Estados Unidos 12.667 12.663 12.834 12.815 12.675 0,02%
União Européia (27) 8.582 8.55 8.561 8.55 8.475 -0,31%
China 6.712 7.041 7.409 7.756 7.969 4,38%
Brasil 6.417 6.795 6.964 7.095 7.225 3,01%
Argentina 2.519 2.451 2.553 2.655 2.595 0,75%
México 2.376 2.428 2.519 2.555 2.58 2,08%
Russia, Federação da 2.3 2.492 2.361 2.422 2.462 1,72%
Índia(2) 1.638 1.633 1.694 1.775 1.855 3,16%
Japão 1.169 1.186 1.159 1.21 1.22 1,07%
Canadá 1.023 1.079 1.086 1.09 1.034 0,27%
Austrália 771 759 747 757 761 -0,33%
Outros 3.813 3.921 4.007 3.86 3.44 -2,54%
Subtotal 37.32 38.335 39.06 39.725 39.616 1,50%
Total 49.987 50.998 51.894 52.54 52.291 1,13%

Fontes: USDA
(1) Estimativa.
(2) Inclui carne de búfalo.

Os gráficos abaixo demonstram as projeções para aumento no consumo de carne bovina nos próximos anos e as regiões do mundo que serão responsáveis por tal crescimento:

O mercado brasileiro que já um dos maiores do mundo e vem apresentando um crescimento tanto de população como de consumo per capita, conseqüente do crescimento do PIB, principalmente em áreas mais carentes. Portanto, o mercado interno é historicamente o principal mercado para a produção brasileira e provavelmente continuará a ser.

 

2004 2005 2006 2007
Consumo per capita de carne (kg ecq/ano) 35,3 36,9 37,3 38,6
População brasileira 181.581.024 184.184.264 186.770.562 183.989.711

Fonte: IBGE e USDA

Exportações

O Brasil é o maior exportador de carne bovina do mundo, tanto em volume como em faturamento. Segundo levantamento realizado pelo USDA, as exportações mundiais de carne bovina em 2007 registraram um aumento de 5,7% em relação a 2006. No mesmo período, o Brasil apresentou um expressivo crescimento de 15,2%% nas suas exportações, expandindo e consolidando ainda mais sua posição de liderança global, apesar das restrições para exportações de carne in natura por parte de alguns países.

O quadro abaixo descreve a evolução dos países líderes nas exportações de carne bovina de 2004 a 2006:

Países Líderes nas Exportações de Carne Bovina no Mundo
(toneladas equivalente carcaça)
País 2004 2005 2006 2007 2008
Nov(1)
CAGR
Brasil 1.610 1.845 2.084 2.400 2.650 13,27%
Austrália 1.369 1.388 1.430 1.450 1.380 0,20%
Índia(2) 492 617 681 725 800 12,92%
Estados Unidos 209 317 519 650 776 38,81%
Canadá 603 596 477 480 550 -2,27%
Argentina 616 754 552 525 535 -3,46%
Nova Zelândia 594 577 530 515 530 -2,81%
Uruguai 354 417 460 400 410 3,74%
União Européia (27) 363 253 216 175 175 -16,67%
China 52 76 85 99 102 18,34%
México 19 32 39 45 45 24,06%
Outros 133 99 37 53 45 -23,73%
Total 6.414 6.971 7.11 7.517 7.998 5,67%

Fontes: USDA
(1) Estimativa.
(2) Inclui carne de búfalo.

Em virtude da crescente demanda global e da previsão de uma maior liberalização das barreiras comerciais, é previsto que as exportações brasileiras de carne bovina cresçam durante os próximos anos. Para 2008, as estimativas do USDA, prevêem um crescimento nas exportações mundiais de 6,4% e brasileiras de 10,4%.

O gráfico abaixo ilustra uma estimativa da OECD/FAO sobre os principais países responsáveis pelo aumento do volume mundial de carne exportada entre 2006 e 2015. Segundo essa estimativa, o Brasil será responsável por 36,1% do aumento de volume exportado, sendo o responsável por capturar a maior parte do crescimento da demanda mundial de carne.

Nos últimos 15 anos, a indústria brasileira de carne bovina tem enfrentado um intenso processo de internacionalização e as exportações de carne bovina brasileira aumentaram de menos de 5,0% da produção no início dos anos 90 para aproximadamente 17,0% em 2007 Adicionalmente, a participação brasileira no total das exportações mundiais de carne bovina aumentou de aproximadamente 5,0% no início dos anos 90 para cerca de 21,5% em 2007, apesar do fato do Brasil ter acesso a menos de 50,0% dos mercados mundiais de carne in natura, uma vez que o bloco formado pelos países do NAFTA, Japão e Coréia do Sul proíbe a importação de carne bovina in natura do Brasil. As exportações brasileiras de carne bovina tiveram aumento de 26,3% em média de 2000 a 2007, como resultado de:

● aumento da produtividade no setor brasileiro de carne bovina e redução dos custos de produção;

● aumento do número de destinatários das exportações;

● redução nas barreiras sanitárias e comerciais; e

● maior número de campanhas de marketing e propaganda.

O quadro a seguir demonstra o montante total (em US$ milhões) das exportações brasileiras de carne bovina nos principais mercados importadores em 2007, dividido por carne bovina in natura e carne bovina processada:

Mercado Carne In natura Carne Industrializada Outros Total
Tonelada US$ (000) Tonelada US$ (000) Tonelada US$ (000) Tonelada US$ (000)
Rússia 447.997 967.634 118 430 13.794 32.029 461.909 1.000.093
Países Baixos 49.043 309.363 13.695 43.169 168 601 62.906 353.133
Egito 174.187 333.135 3.616 9.230 6.101 6.026 183.904 348.391
Estados Unidos 351 745 62.517 285.644 3.883 43.266 66.751 329.655
Itália 49.403 239.702 10.253 41.933 2.067 4.500 61.723 286.135
Reino Unido 26.182 119.464 60.191 162.455 24 85 86.397 282.004
Hong Kong 40.712 97.467 1.540 3.569 56.540 100.185 98.792 201.221
Irã, República Islâmica do 61.289 145.228 - - - - 61.289 145.228
Alemanha 18.378 125.528 4.869 15.705 235 586 23.482 141.819
Venezuela 46.675 124.634 - - - - 46.675 124.634
Argélia 51.351 104.979 434 1.038 - - 51.785 106.017
Arabia Saudita 40.396 92.427 2.144 5.329 1.088 1.559 43.628 99.315
Israel 30.458 67.493 609 1.327 1.834 2.256 32.901 71.076
Suécia 6.974 57.723 2.485 6.783 - - 9.459 64.506
Canárias, Ilhas 9.994 58.842 559 1.544 - - 10.553 60.386
Filipinas 35.713 57.506 915 2.106 - - 36.628 59.612
Líbano 17.856 52.806 1.497 3.009 147 328 19.500 56.143
Espanha 8.619 47.082 339 906 785 1.536 9.743 49.524
Suiça 6.082 43.710 325 1.226 383 1.014 6.790 45.950
Emirados Arabes Unidos 11.334 34.023 2.652 6.137 596 989 14.582 41.149
França 6.299 27.863 2.380 7.653 632 2.072 9.311 37.588
Libia 19.033 36.971 - - - - 19.033 36.971
Angola 7.404 18.116 2.892 4.724 5.851 13.128 16.147 35.968
Portugal 4.951 29.805 42 73 242 370 5.235 30.248
Outros 114.973 293.134 35.324 89.794 25.367 34.270 175.664 417.198
Total 1.285.654 3.485.380 209.396 693.784 119.737 244.800 1.614.787 4.423.964

 

 

A carne in natura é o principal produto exportado pelo Brasil, tanto em volume como em receita e vem crescendo ano a ano, em detrimento da carne processada, como observado nos gráficos a seguir.



Importações

Os Estados Unidos e a Rússia são atualmente os maiores importadores de carne bovina no mundo.

Acredita-se no crescimento das importações para os próximos anos, tendo em vista, principalmente (i) o crescimento da demanda nos países desenvolvidos e, principalmente, nos países em desenvolvimento; (ii) a redução do rebanho bovino na Rússia e, consequentemente, de sua capacidade de produção; (iii) redução dos subsídios aos produtores de gado e exportadores na União Européia, o que vem afetando negativamente sua produção; e (iv) a expectativa do início de importação de carne bovina pela China, dado o relevante crescimento no consumo de carne bovina nesse país.

Países Líderes nas Importações de Carne Bovina no Mundo
(toneladas equivalente carcaça)
País 2004 2005 2006 2007 2008 Nov(1) CAGR
Estados Unidos 1.669 1.632 1.399 1.471 1.551 -1,82%
Rússia 719 978 939 1.050 1.100 11,22%
União Européia (27) 641 711 717 725 750 4,00%
Japão 634 686 678 715 725 3,41%
México 296 335 383 400 410 8,49%
Coréia 224 250 298 315 320 9,33%
Canadá 123 151 180 225 255 19,99%
Egito 173 221 291 250 255 10,19%
Hong Kong 88 95 97 100 105 4,51%
Taiwan 82 95 104 105 105 6,38%
África do Sul 23 29 27 30 30 6,87%
Outros 249 262 220 227 69 -27,45%
Total 4.921 5.445 5.333 5.613 5.675 3,63%

O gráfico a seguir ilustra uma projeção dos principais importadores de carne bovina, por volume até 2015:

O potencial do Brasil para atender à crescente demanda interna e externa por carne

Vantagens Competitivas do Brasil no Setor Global de Carne Bovina

Acreditamos que o contínuo crescimento do PIB brasileiro, a estabilidade econômica e política, o controle da inflação e a queda gradual da taxa de juros, vêm atraindo forte fluxo de investimentos estrangeiros diretos no País, resultando em um cenário favorável para o desenvolvimento econômico brasileiro nos últimos anos. Os resultados macroeconômicos preliminares do ano de 2007 apontam ainda para uma aceleração do ritmo de crescimento econômico do País, além da estabilidade monetária. Contribuem ainda para um crescimento econômico potencialmente acentuado em 2007 a expectativa de que a taxa básica de juros continue sendo gradualmente reduzida e a oferta de crédito continue crescendo. Adicionalmente, o Brasil oferece diversas vantagens competitivas como um dos líderes mundiais no setor de agropecuária, especificamente na produção de carne bovina, dentre as quais destacamos:

Escala e posicionamento competitivo. Segundo os dados da ABIEC, em 2007, o Brasil obteve as seguintes posições em relação aos demais países do mundo: (i) maior exportador de carne bovina, tanto em volume como em faturamento (mesmo exportando para menos de 50% do mercado mundial de carne in natura); (ii) maior rebanho comercial de gado do mundo; (iii) segundo maior produtor de carne bovina; e (iv) quarto maior consumidor de carne bovina em volume total.

Crescimento histórico e alto potencial de crescimento da produção. Segundo dados do USDA, a produção brasileira de carne bovina e seus subprodutos cresceu 33,9% nos últimos cinco anos, em comparação com um crescimento de 9,0% do mercado mundial. Ainda segundo dados da USDA, a exportação e consumo interno da carne bovina brasileira cresceram, respectivamente, à média anual de 20,3% e 3,1% nos últimos cinco anos. O crescimento da exportação brasileira de carne bovina nos últimos anos se justifica pela melhoria geral das condições industriais, fitossanitárias, o aperfeiçoamento genético e nutricional do rebanho bovino e a crescente profissionalização e formalização do setor com a conseqüente abertura de novos mercados. Um exemplo disso foi o início das exportações para os mercados Russo e do Leste Europeu após o surto de BSE ocorrido na Europa em 2001 e 2002. Adicionalmente, apesar do expressivo crescimento, o Brasil é um dos poucos países que ainda possui grandes reservas de áreas disponíveis para agropecuária a custos atrativos, o que possibilita a expansão com baixo impacto ambiental e com a manutenção de baixa concentração de animal por hectare. Segundo os dados levantados pelo MAPA em abril de 2007, o Brasil utilizou apenas 90 milhões dos potenciais 388 milhões de hectares da sua área disponível para a agropecuária, havendo, ainda, 105 milhões de hectares adicionais disponíveis. Acreditamos que os principais concorrentes do Brasil no segmento em que atuamos não possuem uma combinação adequada de áreas disponíveis, clima adequado, recursos humanos e econômicos disponíveis, e domínio de tecnologias.

O gráfico abaixo apresenta a terra potencialmente arável no mundo:

Outro indicativo do potencial produtivo do Brasil é a Taxa de Desfrute (número de cabeças abatidas/total de cabeças do rebanho) que é uma medida que reflete o aproveitamento que um país faz de seu rebanho, sendo uma medida de produtividade influenciada por diversos fatores, tais como: (i) raça do gado (zebuíno ou taurino); (ii) sistema de criação (a pasto ou confinamento); (iii) utilização ou não de hormônio de crescimento; e (iv) qualidade e tipo de alimentação do animal. Assim, apesar de deter o maior rebanho bovino comercial do mundo, o Brasil é o segundo maior produtor global de carne bovina, devido a uma Taxa de Desfrute baixa, de 22,0% em 2006. Isso se deve, principalmente ao fato de que, diferentemente de outros países como os Estados Unidos, no Brasil a forma de criação do rebanho é predominantemente extensiva (pastagens), além de ser proibida a utilização de hormônios de crescimento na criação de gado. Tais fatores fazem com que o rebanho brasileiro leve mais tempo para atingir o peso ideal para o abate. Como está ilustrado no gráfico abaixo, o Brasil apresenta alto potencial para melhorar o aproveitamento de seu rebanho, ou seja, aumentar a sua Taxa de Desfrute e atender à demanda crescente por carne bovina, tanto no mercado interno como no externo:

Baixo custo de produção. O custo de produção da carne bovina e seus subprodutos no Brasil é baixo em comparação aos dos principais concorrentes, pois o Brasil se beneficia de (i) condições climáticas favoráveis e disponibilidade de terras a preços baixos, o que reflete diretamente no preço do gado; (ii) bom nível de desenvolvimento tecnológico, superior aos seus principais concorrentes no continente; (iii) economias de escala, geradas pelo alto volume de produção; (iv) baixo custo e da boa qualificação de mão-de-obra, o que contribui para a competitividade global dos produtores brasileiros no mercado internacional; e (v) melhor aproveitamento do boi, gerando economias de escala. De acordo com relatório emitido pela ABIEC, o custo médio de produção no Brasil é de US$0,90 – 1,00/quilograma, comparado a US$1,80/quilograma na Austrália, US$1,90/quilograma nos Estados Unidos e US$1,30/quilograma na Argentina.
Os dois principais componentes da estrutura de custo do setor em geral são os custos de matéria-prima e industrialização.
Além disso, o custo da alimentação por pastagem é menor que de rações à base de cereais, gerando uma vantagem competitiva, principalmente no atual cenário de crescimento dos preços dos grãos. Estes fatores contribuem para reduzir substancialmente os custos de criação de gado no Brasil, quando comparados a outros grandes mercados produtores de carne bovina.
O Brasil tem a menor estrutura de custo entre os maiores países exportadores de carne bovina, sendo 33% abaixo da Nova Zelândia, o segundo mais competitivo exportador. A tabela abaixo apresenta o custo de matéria prima nos principais produtores de carne bovina no mundo.

Custos de Aquisição de Gado em 2006
País US$/quilograma
Brasil 0,80
Nova Zelândia 1,20
Argentina 1,30
Austrália 1,40
EUA 1,90
Irlanda 2,90

Fonte: ABIEC

Criação extensiva e qualidade do produto. A criação de gado no Brasil é predominantemente extensiva. Diferentemente da maioria dos principais produtores mundiais de carne bovina, incluindo os Estados Unidos e os países da União Européia, o gado brasileiro alimenta-se de pastagem e/ou de ração de origem vegetal, o que é visto como um fator que elimina o risco de um surto de BSE no gado brasileiro. Além disso, a diversidade de raças no Brasil facilita atender aos mais variados mercados mundiais e suas respectivas demandas específicas. Adicionalmente, a carne bovina brasileira é caracterizada pelo baixo teor de gordura e por não conter hormônios de crescimento, utilizados na criação do gado em alguns países.

Essas vantagens competitivas no mercado brasileiro, além do fato de o setor não sofrer restrições governamentais como, por exemplo, a sobretaxa de exportação de carne in natura que ocorre em países como a Argentina, resultam em uma grande oportunidade para suprir a crescente demanda global por carne bovina, gerada pelo crescimento da população mundial, o aumento de renda per capita, o aumento do comércio exterior e a redução na produção local de muitos países.

Restrições Sanitárias e Comerciais

Dentre os principais países importadores de carne bovina, o bloco formado pelos países do NAFTA, Japão e Coréia do Sul restringem a importação de carne in natura de países ou regiões onde há programas ativos de vacinação contra a febre aftosa. Estes países aceitam somente a importação de carnes industrializadas. A União Européia permite as importações de carne bovina in natura de certas regiões de países que foram afetados pela febre aftosa se tais regiões não foram diretamente afetadas, respeitando as regras de regionalização sugeridas pela OIE. Entretanto, a União Européia restringiu o livre comércio de carne bovina in natura por meio de um sistema de quota de importação que determina uma taxação mais severa para a carne bovina in natura importada além de determinada quota, e também impediu a importação de carne bovina tratada com hormônios e anabolizantes. Conseqüentemente, a carne bovina norte-americana tratada com hormônios de crescimento foi banida, sob a alegação de riscos à saúde. Nesse contexto, o Brasil pode se beneficiar de qualquer ampliação das barreiras da União Européia à carne bovina proveniente dos Estados Unidos, posto que não são utilizados hormônios de crescimento na criação de gado. Além da União Européia, outros países que também são grandes importadores de carne in natura tendem a seguir as indicações da OIE, mas possuem autonomia para definir as regras para importação de carne.

Última Atualização em 22 de julho de 2008
Fale com RI